Arcanos Maiores

Arcanos Maiores
Tarot de Marselha

sábado, 28 de agosto de 2010

TARÔ - ORIGENS CONHECIDAS.






Em 1120 o imperador da China Seun Ho, ao lado do dragão sagrado e de um bule de chá, confeccionou o Tarot para divertimento de suas numerosas concubinas.

Este Tarot era feito com trinta tabelas de marfim, dividido em três séries de nove naipes cada uma. E os dois restantes eram chamados A Flor Branca e a Flor Roxa. Algumas destas cartas estavam relacionadas com o céu, a Terra, com o homem racional e o homem espiritual, e outras com símbolos abstratos.

Em 1227 os viajantes de França chegam da Itália e na corte francesa dizem que por lá viram os meninos ricos sendo iniciados na magia com cartas grandes, cheias de símbolos. Isto fez desabrochar a curiosidade nos nobres franceses que partiram em busca deste método mágico.

Em 1240 o Sínodo de Worcester, proibiu aos religiosos o uso do Tarô, pois relacionava estas práticas imaginativas a “coisas do demônio”.

Em 1310 surgem novas notícias sobre o Tarô. Em Luxemburo, o imperador ordena que seus nobres usem o Tarô e seu jogo milenar para aprender a tática de guerra.

Em 1381, em Marselha, os naipes são usados pelas cartomantes que aos poucos tornam a prática da cartomancia uma atividade comum.

Em 1379 foi introduzido em Viterbo o jogo de cartas, conforme crônica de Giovannni de Juzzo de Caveluzo, consevada nos arquivos da cidade, como proveniente do país dos sarracenos, que entre este povo se chama Naib.




A carta  é do baralho sarraceno ou Mamlûk, 
contemporâneo ou pouco anterior ao Visconti Sforza.

Tarô de Gringonneur (1392) – São 17 cartas sem números ou letras embora as figuras possam ser identificadas com os baralhos de outro Tarô mais moderno. Não constavam do baralho de Gringonneur as cartas 2-3-13-15-16-17-20-21.







Em 1398 os ciganos são associados com esta prática no dia a dia da Boêmia. Nobres, sacerdotes, vão consultá-los, conhecedores sobre o dom adivinhatório destas cartas mágicas.

Tarochi de Montegna ou Carta de Baldini, são 50 cartas divididas em séries de 10 cada, organizadas numa ordem clara do universo. A 1. Série compreende do Louco até ao Papa. A 2. Série compreende os deuses “Calope e Urania”, respectivamente as cartas 14 e 17 – a Temperança e a Esperança. As outras divindades representando virtudes formam a 3. Série. A 4. Série representa os estudos de uma sociedade, da gramática à teologia. A 5. Série representa todos os planetas do universo conhecido. O Museu Britânico possui esta relíquia com 46 cartas remanescentes.




O Tarô de Minchiate de Florença, são 97 cartas divididas em séries, mais os doze signos do zodíaco.





O Tarochi de Veneza são 78 cartas incluindo Arcanos Maiores e Menores, onde introduziram a carta A Papisa.





O Tarocchino di Bologna inclui-se entre os mais antigos baralhos conhecidos. François Fibbia, príncipe de Pisa, teria sido o introdutor destas cartas em Bolonha, quando do seu exílio nesta cidade. Morreu no ano de 1419. Este baralho consistia em 62 cartas, divididas exatamente da mesma maneira que os baralhos atuais. Faltavam apenas as cartas números 2-3-4 e 5 dos Arcanos Maiores.




Um dos mais antigos baralhos de Tarô que chegaram até nós é o de Visconti Sforza, pintadas por um artista chamado Bonifácio Bembo. Data do séc. XV, por volta de 1432-1466 e conservam-se ainda hoje alguns exemplares em Milão. Trata-se de baralhos de cartas de luxo de formato muito grande, sem nome ou número, com imagens pintadas à mão muito suntuosas, quatro seqüências de quatorze cartas cada, mais vinte e duas cartas mostrando cenas diferentes chamadas “triomffi”, em português trunfos. As figuras, sendo embora pintadas ao estilo da época, correspondem exatamente com as imagens que ainda hoje se conhecem e usam. Francesco Sforza, segundo contam, foi seu proprietário até o casamento com Maria Visconti, quando passou a ser denominado Sforza-Visconti.






Um dos aspectos mais fascinantes do Tarô reside no fato de se fazerem sempre as mesmas cartas há mais de centenas de anos, e seus 22 Arcanos Maiores ostentarem o mesmo simbolismo e seu significado e conteúdo não ter se modificado sobremaneira com o passar dos anos. A palavra Arcano significa “Mistério”, “Segredo”. 

Antoine Court de Gebelin, (séc. XVIII) nascido em Nimes em 1725, era filho de pastor protestante, estudioso de Teologia em Lausanne e de mitologia antiga, através do seu livro “Le Mond Primitif” de 1775, diz que as cartas de Tarô são de origem egípcia e devem ser encaradas como um livro de religião e filosofia, um livro sobre a história, da criação do mundo e das três primeiras eras, começando por Mercúrio ( Hermes ), que seria a carta representada pelo Mago.





O TAROT DE MARSEILLE ( Tarô de Grimaud ).

No séc XVIII aparece um novo tipo de Tarô, de origem igualmente obscura, até hoje ainda muito popular na França. Certas características do desenho, o estilo das vestimentas e dos rostos fazem supor que sua concepção artística remonta meados do séc. XV e que foi manufaturado na Alemanha. Presume-se ser o mais antigo dentre os conservados, sendo sua aparição ao ano de 1760. Contudo, foi fixado na sua forma atual somente a partir de 1930. Ele é composto das 22 cartas dos Arcanos Maiores e algumas cartas do baralho italiano. Seus nomes são escritos em francês e mantêm os 4 naipes italianos. Os baralhos antigos possuem a numeração romana.




Segundo a tradição oculta sobre sua origem, seria a reprodução, adaptada à indumentária da época, de um Tarô mais antigo levado pelos gregos à Fócida – a antiga Marselha, que por sua fez eles conservavam dos Egípcios. 

Com sua teoria Gebelin, que preferia o estudo da mitologia, pretendeu provar que o Tarot de Marseille estava relacionado com a antiga sabedoria egípcia, a partir do estudo dos Arcanos das antigas Escolas de Mistérios Egípcios e com o livro de Thot, elaborado pelo criador da magia e da escrita egípcia como manual ideográfico para transmitir todo o conhecimento filosófico humano aos seus discípulos. Para Gebelin os ciganos foram povos egípcios levados ao nomadismo, espalhando-se pela Europa e parte da Ásia, de onde trouxeram o costume de ler a sorte. Ele acreditava na origem egípcia das cartas, já que segundo sua opinião, a Grande Sacerdotisa, A Papisa, e O Papa, parecem figuras religiosas egípcias, Ísis aparecia representada no Arcano A Estrela e Osíris figurava em O Carro, e Seth, seu irmão, aparecia representado na lâmina O Diabo, todos personagens da mitologia do antigo Egito.

Um dos continuadores de Gebelin foi seu seguidor, o professor de matemática Alliette. Publicou em 1783, sob o pseudônimo de Etteilla, seu nome com as letras invertidas, uma obra que confirmava a origem Egípcia das lâminas. Adotou a teoria de Pitágoras dos números para estudar o Tarô. Segundo Etteila, sua origem seria dos 17 magos ancestrais: pelos descendentes de Mercúrio (Hermes), Enoque, neto de Caim e bisneto de Noé e por Toth que escreveu o livro “Toth Segundo Seus Ancestrais”. O baralho criado por ele possui algumas cartas com símbolos astrológicos, mas em geral obedecem ao padrão dos Tarôs italianos, venezianos e de Milão.

Mais recentemente Eliphas Levi e Oswald Wirth estudaram as relações entre o Tarot e a Cabala, a doutrina secreta hebraica, e a correspondência com seu alfabeto de vinte e duas letras. Eliphas Levi (1810 – 1875) acreditava na origem hebraica do jogo. Levi era um filósofo, um dos mais famosos e sábios ocultistas da França. O seu verdadeiro nome era Alphonse Louis Constant, a sua ocupação a de sacerdote da Igreja Católica. Levi acreditou que o Tarô fosse um alfabeto sagrado e oculto, atribuído pelos hebreus a Enoque, pelos egípcios, ao deus Toth e pelos gregos a Cadmés, fundador de Tebas. Levi pensou encontrar a chave universal da Cabala. Em sua obra “Dogma e Ritual da Alta Magia” escreveu que o Tarô sempre revela com exatidão o que está oculto devido à relação entre suas figuras e os números correspondentes.

Levi percebeu que a Cabala ou Ärvore da Vida contém 22 caminhos pelos quais as “Sephiroth” ou numerações se interligam. Depois de estudos concebeu que as 22 letras do alfabeto hebraico, as 22 lâminas dos Arcanos Maiores e as 22 “Sephirot” podem representar uma unidade comum para a “Grande Revelação”. Ele acreditava que a revelação contida no Tarô tem a mesma base do Tetragrama hebreu, do Azoth dos alquimistas, do Toth dos ciganos. Todos significando Deus. “Quando a Palavra se fêz homem, quando o templo foi destruído, então os mistérios de Ephrod e de Teraphim foram inscritos em lâminas”. Segundo Levi essa frase foi encontrada em escrituras antigas dos hebreus. O Tarô teria então se originado dessas lâminas. 

Outro grande mestre do Tarot foi Gerard Encause, médico francês que viveu de 1865 a 1917 e que publicou suas obras sob o pseudônimo de Papus. A sua obra O Tarot dos Boêmios, ainda hoje pode ser considerada como uma fonte original e fidedigna. Contribuiu muito para o estudo das 22 lâminas e as 22 letras do alfabeto hebraico e da Cabala. Papus, membro Rosacruz, acreditava que a sabedoria da India e do Egito antigo tenha sido a síntese do Tarô. Através de sociedades secretas esotéricas, rituais, cultos e pela transmissão oral, o Tarô chegou até nós. A palavra Cabala, por sua vez, deriva da palavra hebraica QBLH. É derivada de QBL, que significa “Receber” e denota “Tradição Recebida”.







O TARÔ DE WAITE. 

Um tarô bastante divulgado entre os tarólogos é o Rider-Deck, publicado pela primeira vez em 1910 por Arthur Edward Waite (1857-1942 ). Este certamente se fundamenta, em sua essência, nas obras de Eliphas Levi. Waite era considerado uma “enciclopédia esóterica” e tinha fama de ser grande conhecedor das bases da filosofia Rosacruz. As lâminas foram desenhadas pela artista gráfica Pamela Smith, cujas iniciais constam em cada carta. O baralho de Waite está impregnado da formação Rosacruz de seu criador, e pelo espírito da época vitoriana que evoca. Ele mesmo denominou suas lâminas de “tarô corrigido”. Em comparação com outros baralhos mais antigos, ele tem a vantagem de ser ilustrado com figuras, até mesmo os Arcanos Menores, auxiliando sua interpretação devido as imagens desenhadas. Contudo suas “correções” já geraram no passado polêmica entre os ocultistas, diferente dos antigos e tradicionais, como o Tarô de Marselha.





O TARÔ DE CROWLEY 

Entretanto Waite se ateve aos velhos modelos, diferente de Aleister Crowley (1875 -1947), que editou seu tarô nos anos 40. Crowley que era considerado por seus seguidores como “o maior mago deste século”, sentiu-se impelido a divulgar uma nova era (Hórus) e adequou suas cartas a esse ensinamento. Elas exercem um efeito muito intenso, mas guardam pouca semelhança com a tradição oculta esotérica tradicional.

Intitulado “discípulo do diabo”, influenciou e ainda influencia a moderna bruxaria. Segundo se registra, certa vez Crowley levou ao extremo sua aversão ao cristianismo, que considerava como Nietzsche, uma religião de escravos, ao batizar um sapo com o nome de Jesus Cristo, crucificando-o solenemente em seguida. Foi apelidado pela imprensa internacional como “O homem mais pecaminoso do mundo”. Diabólico e obsceno, sexomaníaco insaciável, espião para a Inglaterra durante a Segunda Guerra Mundial, expulso da França como traidor dos aliados, Crowley se fazia chamar de A Besta do Apocalipse (Megatherion 666) e se dava ao luxo de vender a preços excessivos, uma composição que tinha seu esperma, como elixir para obter sex-appeal.

Após uma viagem ao Egito (1904), onde afirmava que teve uma visão do deus Hórus, Crowley escreveu “The Book of Law” (O Livro da Lei), com 75 preceitos, sendo que sua lei e base de todo o contexto é o seguinte axioma: Do what do you shall be whole of the law. Love is the law (Faze o que quiseres, este será o princípio fundamental da lei. O amor é a lei).

Em 1905, ele criou uma Ordem iniciática, a Astrum Argentinum. Sendo banido de vários países europeus teve uma existência errante pelos Estado Unidos, Tunísia e Alemanha hitlerista (dizem que influenciou o teórico nazista e ocultista Alfred Rosenberg), e em toda sua vida escreveu mais de cem livros (poemas, romances, ensaios) e uma infinidade de opúsculos sobre temas herméticos, de magia sexual e demonologia. Seu último livro. O “Livro de Thot”, é uma interpretação do simbolismo do Tarô.

Viveu seus últimos anos sobre o efeito de drogas, principalmente a heroína. Conta-se que a tomava nas veias, em quantidade suficiente para matar três homens, para manter em movimento seus velhos membros e fluente a sua conversa. Um ataque cardíaco vitima-o em 1947.

“Ao atribuir-se a tarefa de provar o direito do homem ao mal, tendo-se identificado com o mal mais do que julgava, tendo-se tornado a encarnação do mal a um ponto que nem ele imaginara, Aleister Crowley nunca mais pode dar-se o luxo de ser bom”.




Um comentário:

  1. Em relação aos comentários sobre Aleister Crowley, e sua biografia oficial, como renegado do espiritualismo, devemos observar com reserva e espírito crítico. Sem Crowley a magia não teria recebido um novo bafejo, mais livre de paradigmas judaico cristãos limitantes tão ao gosto de Levy e outros frequentadores da Aurora Dourada que não assumiam abertamente a visão demoníaca que é intrínseca ao estudo do espiritualismo. É necessário a imposição de forças opostas para que a nossa magia interior possa desabrochar devidamente. Na época Crowley vivia numa sociedade fechada e preconceituosa e nos dias de hoje seu comportamento não seria considerado tão fora do comum. Sem ele não existiria o Tarô como o vemos hoje, sem tanta docotomia entre Bem e Mal. Essa é a minha opinião.

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